11 de nov. de 2010
Ana Carolina - Confesso.
Confesso acordei achando tudo indiferente, verdade acabei sentindo cada dia igual. Quem sabe isso passa sendo eu tão inconstante, quem sabe o amor tenha chegado ao final. Não vou dizer que tudo é banalidade, ainda há surpresas mas eu sempre quero mais. É mesmo exagero ou vaidade, eu não te dou sossego, eu não me deixo em paz. Não vou pedir a porta aberta é como olhar pra trás, não vou mentir nem tudo que falei eu sou capaz, não vou roubar teu tempo eu já roubei demais. Tanta coisa foi acumulando em nossa vida, eu fui sentindo falta de um vão pra me esconder. Aos poucos fui ficando mesmo sem saída, perder o vazio é empobrecer. Não vou querer ser o dono da verdade, também tenho saudade mas já são quatro e tal. Talvez eu passe um tempo longe da cidade, quem sabe eu volte cedo ou não volte mais.
Ana Carolina - Confesso.
Clarice

“Quando fazemos tudo para que nos amem e não conseguimos, resta-nos um último recurso: não fazer mais nada. Por isso, digo, quando não obtivermos o amor, o afeto ou a ternura que havíamos solicitado, melhor será desistirmos e procurar mais adiante os sentimentos que nos negaram. Não fazer esforços inúteis, pois o amor nasce, ou não, espontaneamente, mas nunca por força de imposição. Às vezes, é inútil esforçar-se demais, nada se consegue; outras vezes, nada damos e o amor se rende aos nossos pés. Os sentimentos são sempre uma surpresa. Nunca foram uma caridade mendigada, uma compaixão ou um favor concedido. Quase sempre amamos a quem nos ama mal, e desprezamos quem melhor nos quer. Assim, repito, quando tivermos feito tudo para conseguir um amor, e falhado, resta-nos um só caminho… o de mais nada fazer.”
Clarice Lispector.
ELE
Sonhei que caía do vigésimo andar e não morria
E ganhava três milhões e meio de dólares na loteria
E você me dizia com a voz terna, cheia de malícia
Que me queria pra toda a vida.
Cazuza
QUEM NUNCA ?

Há certas horas, em que não precisamos de um Amor… Não precisamos da paixão desmedida… Não queremos beijo na boca… E nem corpos a se encontrar na maciez de uma cama… Há certas horas, que só queremos a mão no ombro, o abraço apertado ou mesmo o estar ali, quietinho, ao lado… Sem nada dizer… Há certas horas, quando sentimos que estamos pra chorar, que desejamos uma presença amiga, a nos ouvir paciente, a brincar com a gente, a nos fazer sorrir… Alguém que ria de nossas piadas sem graça… Que ache nossas tristezas as maiores do mundo… Que nos teça elogios sem fim… E que apesar de todas essas mentiras úteis, nos seja de uma sinceridade inquestionável… Que nos mande calar a boca ou nos evite um gesto impensado… Alguém que nos possa dizer: Acho que você está errado, mas estou do seu lado… Ou alguém que apenas diga: Sou seu amor! E estou Aqui!
(William Shakespeare)






